A tensão arterial alta, ou hipertensão, é uma das condições de saúde mais comuns e, ainda assim, uma das mais subestimadas em Portugal. Frequentemente sem sintomas, o seu impacto silencioso pode levar a consequências graves como AVC, ataques cardíacos e outras doenças cardiovasculares.
Neste artigo explicamos o que é a hipertensão arterial, como pode geri-la através de mudanças no estilo de vida e a importância de um acompanhamento médico rigoroso para garantir a sua longevidade e bem-estar.
A tensão arterial é a força que o sangue exerce contra as paredes das artérias enquanto é bombeado pelo coração.
É medida em dois números:
Considera-se que uma pessoa tem hipertensão arterial quando os seus valores são consistentemente iguais ou superiores a 140/90 mmHg.
O grande perigo reside no facto de, na maioria dos casos, não existirem sintomas da tensão alta.
Esta ausência de sinais de alerta leva a que muitas pessoas desconheçam a sua condição, permitindo que a doença progrida e danifique órgãos vitais como o coração, o cérebro e os rins.
A hipertensão não controlada é, aliás, uma das principais causas de insuficiência cardíaca, uma vez que obriga o coração a um esforço extra e constante que, ao longo dos anos, o vai debilitando. É por isso que a hipertensão é frequentemente chamada de "assassino silencioso".
Segundo as diretrizes mais recentes da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), considera-se que a pressão arterial está dentro dos valores normais quando é inferior a 120/70 mmHg.
No entanto, normal não significa um valor único e rígido - existe uma margem considerada saudável, e valores ligeiramente diferentes podem ser perfeitamente normais dependendo da idade, do nível de atividade física e do estado de saúde geral de cada pessoa.
Estar dentro dos valores normais é sinónimo de que o coração e as artérias estão a trabalhar sem sobrecarga, reduzindo significativamente o risco de complicações cardiovasculares a longo prazo.
É por isso que a Direção-Geral da Saúde recomenda a monitorização regular da tensão arterial, mesmo na ausência de sintomas.
Para saber se os seus valores estão dentro do normal, pode consultar esta tabela de classificação:
| Categoria | Sistólica (mmHg) | Diastólica (mmHg) |
|---|---|---|
| Pressão Arterial não elevada | Inferior a 120 | Inferior a 70 |
| Pressão Arterial elevada | 120-139 | 70-89 |
| Hipertensão | Acima de 140 | Acima de 90 |
Nota: estes valores aplicam-se à generalidade dos adultos e são mencionados pela Sociedade Europeia de Cardiologia. Em pessoas mais idosas ou com outras condições de saúde, o médico pode definir metas de tensão arterial ligeiramente diferentes. Consulte sempre o seu médico para interpretar os seus valores corretamente.
Valores de sistólica superiores a 180 mmHg ou diastólica superiores a 120 mmHg constituem uma crise hipertensiva e requerem assistência médica urgente.
Na criança e no adolescente, a hipertensão arterial não se define por valores fixos como no adulto, mas sim em função de percentis que relacionam a idade e a altura de cada criança. Por isso, o diagnóstico deve ser sempre feito por um pediatra, com base em tabelas específicas.
A Sociedade Portuguesa de Hipertensão disponibiliza uma tabela simplificada de referência dos valores da pressão arterial em crianças, que pode ajudar a identificar quando um valor médio requer avaliação adicional:
| Idade (anos) | Meninos — Sistólica/Diastólica (mmHg) | Meninas — Sistólica/Diastólica (mmHg) |
|---|---|---|
| 1 | 98/52 | 98/54 |
| 2 | 100/55 | 101/58 |
| 3 | 101/58 | 102/60 |
| 4 | 102/60 | 103/62 |
| 5 | 103/63 | 104/64 |
| 6 | 105/66 | 105/67 |
| 7 | 106/68 | 106/68 |
| 8 | 107/69 | 107/69 |
| 9 | 107/70 | 108/71 |
| 10 | 108/72 | 109/72 |
| 11 | 110/74 | 111/74 |
| 12 | 113/75 | 114/75 |
| 13 ou mais | 120/80 | 120/80 |
Nota: Valores próximos ou superiores a esta tabela não significam automaticamente hipertensão, mas indicam que vale a pena confirmar com o pediatra, que fará a avaliação correta com base no percentil específico da criança (que considera também a sua altura).
Vários fatores podem aumentar a probabilidade de desenvolver tensão alta. Alguns não podem ser alterados, como a idade e a predisposição genética, mas muitos estão relacionados com o estilo de vida. Os principais fatores de risco incluem:
Ter um ou mais destes fatores não significa que vai necessariamente desenvolver hipertensão, mas é motivo suficiente para reforçar a vigilância e adotar hábitos mais saudáveis o mais precocemente possível.
A boa notícia é que, ao contrário da idade ou da genética, a maioria destes fatores está dentro do seu controlo.
Medir a tensão em casa é uma excelente forma de monitorizar a sua saúde cardiovascular. Para garantir uma medição correta:
Embora a hipertensão seja o foco principal de prevenção cardiovascular, a pressão arterial baixa (hipotensão) também merece atenção. Considera-se hipotensão quando os valores são inferiores a 90/60 mmHg.
Nem sempre é motivo de preocupação - muitas pessoas saudáveis, especialmente atletas, têm naturalmente uma tensão mais baixa sem qualquer sintoma.
No entanto, quando surge de forma súbita ou acompanhada de sintomas, pode indicar um problema subjacente.
Sintomas mais comuns:
Causas frequentes de pressão arterial baixa incluem desidratação, medicação (em particular para a tensão alta), problemas cardíacos, alterações hormonais ou permanecer muito tempo em pé.
Se sentir estes sintomas com frequência, consulte o seu médico para identificar a causa e definir o acompanhamento adequado.
A boa notícia é que pequenas mudanças no dia a dia podem ter um grande impacto.
Se se pergunta "como baixar a tensão arterial?", comece por estas estratégias:
Uma dieta equilibrada é fundamental. A dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) é frequentemente recomendada e foca-se em:
A atividade física regular fortalece o coração, tornando-o mais eficiente a bombear sangue, o que reduz a pressão nas artérias.
Recomenda-se pelo menos 150 minutos de exercício moderado por semana, como:
Embora as mudanças no estilo de vida sejam a primeira linha de defesa, não substituem a orientação de um profissional de saúde. O acompanhamento médico é essencial para:
Nunca inicie ou pare medicação sem falar com o seu médico. Um controlo rigoroso é a chave para prevenir um AVC e outras doenças graves.
Para saber mais sobre prevenção cardiovascular, pode também consultar os recursos educativos da Fundação Portuguesa de Cardiologia, dedicados à hipertensão como fator de risco.
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Cuidar da sua tensão arterial é um gesto que protege não só a sua saúde, mas também a estabilidade de quem mais ama.
Ao adotar hábitos saudáveis, está a reduzir o risco de complicações graves como o AVC ou a insuficiência cardíaca, e a garantir mais anos de momentos felizes junto da sua família.
Mas cuidar da família é também prepará-la para os imprevistos que a vida pode trazer. O CA Vida Família combina proteção financeira em situações críticas, como a invalidez ou a morte, com serviços de assistência médica para o dia a dia - incluindo consultas online e acesso a uma rede de prestadores de saúde. Porque cuidar é também prevenir.
Perguntas frequentes sobre tensão arterial |
São dois números que medem a pressão sistólica (máxima) e diastólica (mínima). Segundo a Sociedade Portuguesa de Hipertensão, um valor normal é inferior a 130/85 mmHg. A hipertensão é diagnosticada com valores consistentes de 140/90 mmHg ou superiores.
Na maioria das vezes, não há sintomas. Em casos de picos muito elevados (crise hipertensiva), podem surgir dores de cabeça fortes, tonturas, visão turva ou falta de ar. Se sentir isto, procure ajuda médica imediata.
Sim. A tensão diastólica (mínima) alta indica que as artérias estão sob pressão mesmo quando o coração está em repouso. É um fator de risco importante para doenças cardiovasculares e deve ser controlado.
Em caso de uma crise hipertensiva, a única forma segura de baixar a tensão é procurar assistência médica de urgência. Tentar receitas caseiras pode ser perigoso. Para um controlo a longo prazo, siga as dicas de estilo de vida e a medicação prescrita pelo seu médico.
O ideal é medir sempre à mesma hora, preferencialmente de manhã (antes de tomar a medicação ou o café) e novamente ao fim do dia. Evite medir logo depois de comer, fumar, consumir café ou praticar exercício físico, pois estes fatores podem alterar temporariamente os valores.
Na primeira medição, o ideal é medir em ambos os braços. Se houver uma diferença significativa entre os dois, deve usar sempre o braço com o valor mais elevado para as medições seguintes. Fale com o seu médico se notar diferenças acentuadas entre os dois braços.
A hipotensão ocorre quando os valores da tensão arterial estão abaixo do normal (tipicamente inferiores a 90/60 mmHg). Pode causar tonturas, fraqueza ou desmaios, especialmente ao levantar-se rapidamente, e nem sempre requer tratamento, exceto quando causa sintomas frequentes.
Sim. A hipertensão é o principal fator de risco para AVC. Manter a tensão arterial controlada é uma das formas mais eficazes de reduzir drasticamente essa probabilidade.
Deve limitar ao máximo alimentos ricos em sódio, como enchidos, enlatados, caldos processados, snacks salgados, fast-food e refeições pré-cozinhadas.
A prevenção começa com pequenos hábitos diários. Cuide do seu coração, hoje e sempre.