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Fraudes financeiras online: como se proteger

No mundo digital de hoje, a segurança dos nossos dados e finanças está constantemente em risco. As fraudes financeiras online evoluíram de simples e-mails para esquemas sofisticados que exploram a nossa confiança, os nossos medos e a nossa pressa.

 

Este guia prático é um manual de defesa para o ajudar a reconhecer os sinais de perigo, a proteger os seus dados de forma eficaz e a saber exatamente o que fazer em caso de burla na internet.

 

 

O panorama das fraudes financeiras em Portugal

Os números oficiais são preocupantes.

Segundo a OCDE, 85% dos países identificam hoje a fraude financeira digital como o principal risco para os consumidores, sendo que 69% registaram um aumento entre 2024 e 2025.

 

Em Portugal, as burlas MBWay atingiram em 2024 o número recorde de 4.467 queixas à PSP e GNR, um aumento de 409% face a 2019, segundo dados das autoridades. O phishing, o vishing e o smishing completam o quadro das fraudes financeiras mais frequentes.

A sofisticação é crescente: das falsas entregas de encomendas às plataformas de investimento fabricadas, os esquemas exploram a confiança, a urgência e, cada vez mais, a inteligência artificial.

Manter-se informado é a primeira linha de defesa.

 

 

Tipos mais comuns de burlas na internet

Conhecer as táticas dos criminosos é o primeiro passo para se proteger.

 

As fraudes bancárias mais comuns usam diferentes abordagens, mas partilham um objetivo: manipulá-lo para obter os seus dados ou o seu dinheiro.

  • Phishing

    A técnica clássica que explora a confiança em instituições. Recebe um e-mail que imita o seu banco ou uma entidade governamental, solicitando uma ação urgente. O link, no entanto, leva-o para uma página falsa desenhada para roubar as suas credenciais.

 

  • Vishing

    Neste caso, o contacto é feito por telefone. Um suposto técnico do banco ou de uma empresa de tecnologia cria um cenário de pânico (ex: "a sua conta foi atacada!"). O objetivo é que, sob pressão, forneça códigos de acesso ou instale software de controlo remoto.

 

  • Smishing

    A urgência de uma SMS torna esta tática muito eficaz. Mensagens como "A sua encomenda está retida na alfândega, pague a taxa aqui" ou "A sua conta será bloqueada, valide os seus dados" contêm links maliciosos que instalam malware ou o direcionam para sites de phishing.

 

  • Falsas plataformas de investimento

    O isco do lucro fácil e rápido é poderoso. Estas plataformas, promovidas agressivamente nas redes sociais, prometem retornos muito elevados em criptomoedas ou outros ativos. Na realidade, são fachadas digitais criadas apenas para receber o seu dinheiro e desaparecer.

 

  • "Olá pai, olá mãe"

    Recebe uma mensagem no WhatsApp de um número desconhecido: "Sou eu, parti o telemóvel, este é o número novo." O burlão faz-se passar por um filho/a ou familiar próximo, criando um cenário de urgência emocional que anula o pensamento crítico. A mensagem pode ser acompanhada por um nome e até por uma fotografia de perfil familiar retirada das redes sociais.

    Regra simples: antes de transferir qualquer valor, ligue diretamente para o número habitual do familiar. Se não atender, ligue a outro membro da família para confirmar.

 

  • Falso funcionário bancário

    Esta é uma das fraudes mais sofisticadas precisamente porque usa informação real. O burlão liga a dizer ser do departamento de fraude do seu banco, conhece o seu nome completo, os últimos dígitos do cartão e, por vezes, movimentos recentes da conta (dados obtidos em fugas de informação anteriores). Cria um cenário urgente e pressiona-o a confirmar um código de segurança ou a autorizar uma transferência para "proteger os seus fundos".

    Nunca o faça. O seu banco nunca lhe pedirá códigos de validação ou transferências por telefone, independentemente da informação que o interlocutor demonstre conhecer.

As fraudes mais frequentes no MBWay: como funcionam e como evitar

As burlas MBWay exploram a simplicidade de uma ferramenta útil.

 

No cenário mais comum, durante uma venda online, o burlão (falso comprador) pede o seu número de telemóvel para "pagar". Em vez de enviar dinheiro, inicia um processo para associar o seu número à conta bancária dele. Você recebe uma notificação para inserir o seu PIN, que o burlão justifica como sendo para "autorizar o pagamento".

A regra de ouro é simples e inquebrável: nunca insira o seu PIN do MBWay para receber dinheiro. Receber é automático. O PIN serve apenas para pagar ou autorizar operações na sua conta.

 

Para receber dinheiro, basta fornecer o seu número de telemóvel. Qualquer pedido para ir a uma caixa Multibanco ou inserir códigos é um sinal de alarme imediato.

 

 

Falsos seguros e investimentos online: sinais de alerta

A promessa de um futuro financeiro seguro é um campo fértil para burlas. Desconfie de ofertas que parecem demasiado boas para ser verdade.

Sinais de alerta:

  • Promessas de rentabilidade garantida e muito acima da média do mercado. O investimento real comporta riscos.

  • Pressão para decidir rapidamente. Táticas como "oportunidade única" ou "vagas limitadas" servem para anular o seu pensamento crítico.

  • Falta de transparência. Se não consegue encontrar informação clara sobre a empresa, o produto ou os seus riscos, afaste-se.

  • Ausência de registo oficial. Verifique sempre se a entidade está registada na CMVM (para investimentos) ou na ASF (para seguros). Antes de avançar, pesquise a reputação da empresa em portais de defesa do consumidor, como o da DECO Proteste.

 

 

Como reconhecer uma tentativa de fraude passo a passo

Independentemente do canal — e-mail, SMS ou telefone — existem sinais que identificam quase sempre uma tentativa de fraude.

Verifique o remetente: analise o endereço de e-mail ou o número de telefone com atenção. Domínios como "banco.pt.info" não são o mesmo que o oficial "banco.pt".

Desconfie da urgência: instituições sérias dão-lhe tempo para agir. A urgência é uma ferramenta de manipulação.

Procure erros e inconsistências: erros ortográficos, gramaticais ou um design de baixa qualidade são fortes indícios de fraude.

Passe o rato por cima dos links (sem clicar): no computador, posicione o cursor sobre o link para ver o endereço real. No telemóvel, pressione e segure o link para ver a pré-visualização. Se não for o site oficial, não avance.

Lembre-se: dados confidenciais não se partilham. O seu banco nunca lhe pedirá a password completa, códigos de validação ou o PIN por e-mail, SMS ou telefone.

 

 

Como proteger os seus dados bancários e pessoais online

Reconhecer uma fraude é metade do caminho. A outra metade é criar hábitos que a tornem mais difícil de acontecer.

  • 1
    Ative a autenticação de dois fatores (2FA): no seu banco online e em todos os serviços financeiros. Mesmo que a sua password seja comprometida, um segundo passo de verificação bloqueia o acesso.
  • 2
    Use passwords únicas e fortes: nunca utilize a mesma password em vários serviços. Um gestor de passwords (como Bitwarden ou 1Password) ajuda a gerir dezenas sem as memorizar.
  • 3
    Verifique sempre o URL antes de introduzir dados: um site seguro começa por "https://" e tem um cadeado. Domínios como "banco-pt-seguro.com" não são o seu banco, são armadilhas.
  • 4
    Proteja os seus dispositivos: mantenha o sistema operativo e as apps atualizados. Use antivírus em computadores e evite redes Wi-Fi públicas para operações bancárias.
  • 5
    Cartões virtuais para compras online: muitos bancos permitem criar cartões virtuais temporários para compras na internet, limitando a exposição do cartão principal.
  • 6
    Não partilhe dados pessoais nas redes sociais: informação como data de nascimento, morada ou número de telemóvel são frequentemente usadas para personalizar tentativas de fraude.

O que fazer se for vítima de uma burla na internet?

Se o pior acontecer, agir rapidamente pode fazer toda a diferença:

  • 1
    Contacte o seu banco imediatamente: este é o passo mais crítico. Peça para bloquear cartões, contas e tentar anular as transações. Cada minuto conta.
  • 2
    Apresente queixa formalmente: dirija-se a uma esquadra da PSP ou a um posto da GNR. Pode também iniciar o processo através do Sistema Queixa Eletrónica.
  • 3
    Guarde todas as provas: não apague mensagens, e-mails ou registos de chamadas. Reúna todos os comprovativos de transferência, capturas de ecrã e links. Tudo isto é vital para a investigação.

 

Cuidados nas redes sociais: a nova fronteira da fraude

As redes sociais tornaram-se o principal campo de recrutamento das fraudes financeiras.

 

A combinação de audiências segmentadas, anúncios pagos e ferramentas de inteligência artificial criou um ambiente onde distinguir o legítimo do fraudulento exige atenção redobrada.

  • Deepfakes e figuras públicas

    A ESMA (Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados) emitiu alertas sobre a proliferação de vídeos deepfake que colocam empresários, apresentadores e políticos a recomendar plataformas de investimento fraudulentas. A voz, a imagem e o discurso são gerados por inteligência artificial com tal realismo que a distinção é quase impossível a olho nu.

    Regra prática: se um vídeo nas redes sociais promove retornos garantidos, desconfie independentemente de quem aparece no ecrã.

 

  • Grupos de WhatsApp e Telegram

    Uma abordagem comum começa com um convite para um grupo de "investidores" onde são partilhados resultados fabricados e testemunhos falsos. A pressão social do grupo e os "lucros" iniciais — reais, para criar confiança — incentivam investimentos progressivamente maiores, até o esquema desaparecer.

 

  • Finfluencers e promoções pagas

    Nas redes sociais proliferam contas que promovem produtos financeiros sem qualificação nem registo nas autoridades competentes. Antes de seguir qualquer recomendação de investimento online, verifique se o interlocutor está registado na CMVM.

 

A regra de ouro nas redes sociais: nenhuma oportunidade de investimento legítima chega através de um anúncio no Instagram ou de um grupo do Telegram. Se o canal de contacto é informal, a oferta provavelmente também o é.

 

 

Proteger o seu dinheiro começa na prevenção

Num mundo digital com incertezas, a nossa primeira linha de defesa é o conhecimento e a prudência. Proteger o que é seu é um passo fundamental.

No entanto, a verdadeira segurança financeira não se resume a evitar perdas. Trata-se de construir ativamente um futuro tranquilo. É aqui que a filosofia da CA Vida entra em ação.

Acreditamos que proteger o que já tem é o alicerce sobre o qual se constroem os seus maiores sonhos. Depois de garantir a sua segurança, o passo seguinte é fazer o seu dinheiro trabalhar para si, com inteligência e propósito.

Um futuro seguro não acontece por acaso; é planeado. Convidamo-lo a explorar as nossas soluções de Seguros de Vida e Investimento, desenhadas para lhe dar a paz de espírito que merece enquanto constrói o amanhã.


 

Perguntas frequentes sobre fraudes e burlas online


O que é phishing?

É uma técnica de fraude em que criminosos se passam por entidades credíveis para o levar a partilhar dados confidenciais (passwords, códigos) através de e-mails, SMS ou sites falsos.


Qual a diferença entre phishing, vishing e smishing?

São três variantes do mesmo esquema, em canais diferentes. O phishing chega por e-mail com links para sites falsos. O vishing é feito por chamada telefónica, o burlão faz-se passar por técnico ou funcionário de banco. O smishing usa SMS com mensagens urgentes sobre entregas, bloqueios de conta ou cobranças. Em todos os casos, o objetivo é idêntico: manipulá-lo, sob pressão, a fornecer dados ou dinheiro.


Como funcionam as burlas MBWay?

Um falso comprador convence o vendedor a realizar uma operação que, em vez de autorizar um recebimento, associa o número do vendedor à conta do burlão, dando-lhe acesso aos fundos.


Recebi uma chamada de alguém que diz ser do meu banco. O que faço?

Desconfie sempre de chamadas não solicitadas, mesmo que o interlocutor conheça o seu nome ou os últimos dígitos do cartão. Essa informação pode ter sido obtida em fugas de dados. O seu banco nunca pedirá códigos de validação, passwords ou transferências por telefone. Se tiver dúvidas, desligue e ligue para o número oficial do banco, que consta no verso do cartão ou no site oficial.


Fui vítima de uma burla, o que fazer?

Contacte o seu banco de imediato para bloquear todos os acessos e, em seguida, apresente queixa na PSP ou GNR o mais rápido possível.


Como posso denunciar burlas na internet?

Apresente queixa-crime na PSP ou GNR. Adicionalmente, pode reportar a situação a entidades como o Banco de Portugal ou o Centro Nacional de Cibersegurança para ajudar a proteger outros consumidores.


O banco devolve o dinheiro em caso de burla?

Depende da análise do caso. Se for provado que houve "negligência grave" por parte do cliente (ex: partilha voluntária de códigos de segurança), o banco pode recusar a devolução. A rapidez no contacto após a fraude é fundamental para aumentar as suas hipóteses.


Como sei se uma plataforma de investimento é segura?

Verifique sempre se a entidade está registada e autorizada a operar em Portugal no site da CMVM. Desconfie de qualquer promessa de lucros garantidos e sem risco.

 


A melhor proteção contra as fraudes financeiras é a informação. Partilhe este guia com quem mais gosta, porque é mais fácil proteger quem está informado.

Fique atento. Fique seguro.

 

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